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日志


6月26日

Antígona

“QUANDO NASCI, minha mãe deu à luz gêmeos: eu e meu irmão, o medo“. Hobbes teria dito isso. Sofro deste sentimento. Tenho muitos medos. Um deles é bem moderno: o medo de não ter os preconceitos corretos. Quais seriam estes? Ora, repito o óbvio: contra o cristianismo, contra brancos heterossexuais, contra os EUA.
Assim como normalmente a “perua” é a mulher de saia curta que não é nossa amiga, “reacionários” são os que ousam discordar das nossas tiranias de estimação.
Às vezes me pergunto: afinal de contas, por que supor que se você for negro você será essencialmente mais justo? Ou se você for homossexual, você será essencialmente mais democrático? Por que travestis ou transexuais merecem ter silicone e cirurgias “de graça”, enquanto diabéticos e pacientes renais morrem em filas?
Perguntas que não devem ser feitas à mesa de “pessoas de bem” no teatro ridículo da democracia contemporânea. Um bom exemplo é o culto ao “jovem”. Por que supor que movimentos de jovens são sempre “coisas do bem”?
O “jovem” não é propriamente uma invenção do século 20. Quando pensamos em “jovens”, temos em mente os jovens protestando nas ruas nos anos 60: hippies contra a guerra do Vietnã nos EUA, parisienses armando “barricadas do desejo” em maio de 68. Tanto num caso como no outro, ao final, todos voltaram pra casa, pedindo mesada ou procurando emprego. E por quê? Porque deixaram de ter 18 anos, tiveram filhos e contas a pagar. Mas esta não é toda a história, há mais do que isso, e esta história começa bem antes desses “espetáculos”, que nos legaram calças jeans e sexo livre, supostamente de maior qualidade.
O que é esse “jovem”? Figura originariamente romântica (século 19), o “jovem” nasce da ideia falsa de que exista um “gênio” específico no jovem (pessoas de mais ou menos 15 a 25 anos) que o diferencie moralmente e politicamente do resto da humanidade. Não acho que pessoas de 15 a 25 anos tenham nenhuma reserva moral ou política: são capazes de agir de má fé como todo mundo.
Seu comportamento não guarda nenhuma evidência de boa qualidade em si, podem cometer atos de opressão e manipulação como qualquer outra pessoa.
Não acredito no “jovem”. A forma mais certa de trairmos os mais jovens é deixá-los crer no “jovem”. Outra forma é tomar suas ideias e movimentos políticos e sociais como sinônimos evidentes “de um mundo melhor”. Seja como for, estes movimentos não são necessariamente defensores da liberdade.
Exemplos banais de como movimentos estudantis oprimem seus colegas e manipulam opiniões e esmagam diferenças enchem as páginas da paisagem histórica.
Ainda no século 19, o escritor russo Turguêniev, em seu livro “Pais e Filhos”, imortalizou a imagem do jovem arrogante e cruel em seu estudante Bazarov, exemplo do jovem niilista russo, capaz de destruir tudo em nome de seu autoritarismo libertário e científico -ainda que Bazarov, ao final, tenha o destino comum de muitos homens, o de ser derrotado pelo amor não correspondido de uma mulher.
Sabemos que movimentos estudantis aderiram aos fascismos modernos, perseguindo colegas e professores nas universidades europeias em nome da “nova saúde política”. Assim sendo, pergunto: por que devemos aceitar que exista uma “razão da idade” que faz alguém mais confiável só porque nasceu em 1990? A culpa, na maioria das vezes, é de seus professores (quando não dos pais que aderem a desculpas “da ciência da psicologia” para sua preguiça), muitas vezes pessoas amargas, orgulhosas e um tanto decadentes, que de dentro da sala de aula recriam um mundo à luz de suas pequenas manias teóricas.
Alguns dizem por aí que devemos “reformar a educação”; eu acho que a educação não funciona mesmo, por isso que a moda da “nova educação” sempre pega. Às vezes, milagres (gotas de consciência) ocorrem a partir da leitura de um livro ou da fala de um colega ou de uma professora, e normalmente estes milagres revisitam eternos dramas, por exemplo, o de Caim e Abel (a velha inveja) ou o de Antígona e Creonte (devemos ouvir a voz da consciência ou sucumbir ao medo da lei da polis?).
Sei que posso ser acusado de anti-intelectualista. Que assim o seja.
Prefiro me ver como aquilo que se chamava de “um homem de letras”, pequeno herdeiro de uma grande tradição que reúne a Bíblia e os gregos como seus ancestrais, que tudo deve a eles, e que pouco ou nada sabe além deles.

Luiz Felipe Pondé

6月5日

Dai Pão a quem tem fome

        'Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa-mundi, o nosso Brasil chorar: O que houve, meu Brasil brasileiro? Perguntei-lhe! E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas: Estou sofrendo.

Vejam o que estão fazendo comigo...

Antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores. Meu povo era heróico e os seus brados retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante.

Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes? Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil. Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam, sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.

Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim. Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado.

Pensei...

Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes? Pensei mais...

Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz?

 Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em seu berço esplêndido.' _____________________________________________________________________________________________________________________________ Apenas sei que está é uma redação feita por uma aluna de Joenville de 14 anos da escola pública. não sei seu nome.